Aracruz reduz ritmo de crescimento para enfrentar crise mundial

Medidas incluem revisão do programa de investimentos, contenção de custos e despesas operacionais e cancelamento do pagamento de dividendos

Diante do agravamento da crise sistêmica no mercado financeiro global, com a conseqüente restrição e encarecimento de linhas de crédito e financiamento e o desaquecimento das principais economias, a Aracruz Celulose, líder mundial em celulose de eucalipto, decidiu ajustar ao novo cenário seus projetos de crescimento para os próximos anos.

Entre as principais medidas divulgadas hoje (17/10) ao mercado, junto com os resultados do terceiro trimestre, estão a suspensão temporária dos investimentos no projeto Guaíba II (RS) e da compra de terras e da formação de florestas dos projetos Veracel II (BA) e de Minas Gerais. Com essas medidas, a Aracruz prevê reduzir em aproximadamente US$ 900 milhões o desembolso com investimentos até 2009.

A Aracruz permanece determinada a retomar seus investimentos nos projetos de expansão de capacidade tão logo as condições de mercado os justifiquem, visando manter sua posição de liderança entre os produtores globais de celulose de fibra curta de mercado.

Austeridade - Apesar da solidez dos fundamentos do negócio da Aracruz - uma das fabricantes de menor custo de produção de celulose de mercado -, a liquidez da companhia tem sido seriamente afetada pela baixa disponibilidade de crédito e a alta percepção de risco do mercado financeiro, que se intensificaram nas últimas semanas com a redução do crescimento global e o aumento da incerteza quanto ao futuro. Esse movimento tem acarretado menor demanda por commodities e a deterioração do valor de ativos.

Visando adequar a companhia à nova realidade de crédito global, a Aracruz está tomando uma série de medidas para reduzir gradativamente a exposição a operações com derivativos e preservar o caixa. Além do já mencionado adiamento dos projetos de expansão de capacidade produtiva, essas medidas incluem renegociações com os bancos em busca de alternativas para uma solução definitiva da questão dos derivativos, contenção de custos e de despesas operacionais, e cancelamento de R$ 84 milhões no pagamento de dividendos sob a forma de juros sobre o capital próprio (JCP).

É importante observar que as exportações da Aracruz em 2007 foram de US$ 2,1 bilhões. Como o efeito da variação cambial sobre as exportações afeta imediatamente o caixa, ele pode compensar parte das perdas em operações com derivativos.

A companhia espera manter o curso normal das operações e o sólido fundamento do negócio neste momento de crise. No final do terceiro trimestre, a posição de caixa e aplicações era de cerca de R$ 1,1 bilhão e a dívida líquida, incluindo 50% da Veracel, tinha prazo médio de vencimento de 54 meses.

Proteção cambial e derivativos - Desde 2004, verifica-se no Brasil uma elevada valorização da moeda local. Esse efeito é negativo para a Aracruz, uma empresa predominantemente exportadora, cuja quase totalidade das receitas está atrelada ao dólar, enquanto 15% de seu endividamento e aproximadamente 75% do seu custo de produção são incorridos em reais.

Ainda em 2004, diante do cenário de desvalorização do dólar, a companhia decidiu adotar medidas de proteção cambial do fluxo de caixa exposto à moeda local, basicamente voltadas para a tomada de posições vendidas em dólares. Esses instrumentos de proteção contra a valorização do real em face do dólar, que incluem o uso de derivativos financeiros, geraram um ganho acumulado de R$ 630 milhões desde 2004.

No final de setembro deste ano, consultoria contratada pela Aracruz para analisar suas operações com derivativos examinou os contratos dessa natureza mantidos pela companhia e apurou o valor justo (fair value) negativo de aproximadamente R$ 1,95 bilhão (data base de 30/09/08). Na apuração do fair value, são levadas em consideração a taxa de câmbio, a volatilidade e a curva de taxa de juros observadas no fechamento, variáveis que foram fortemente afetadas pela instabilidade dos mercados financeiros mundiais e a conseqüente desvalorização do real.

Mesmo com o resultado apurado, o efeito caixa das operações financeiras com derivativos da companhia no terceiro trimestre foi positivo em cerca de R$ 25 milhões.

No terceiro trimestre de 2008, o fair value negativo das operações com derivativos da companhia teve como contrapartida a reversão no Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro de R$ 788 milhões, o que resultou em menor impacto no lucro / (prejuízo) líquido, que totalizou prejuízo de R$ 1,6 bilhão, ou R$ (1,59)/ação.

Veja o release completo dos resultados do 3º trimestre de 2008 em www.aracruz.com.br.


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